Entrevista publicada na revista Grandes Guerras de Janeiro/Fevereiro de 2009
Hans-Manfred Rahtgens era um bebê quando seu pai foi morto por envolvimento no atentado a Hitler em 1944. Hoje cuida da memória da resistência alemã ao Nazismo
Hans-Manfred em dois momentos: em 2008 e em 1949, então com cinco anos
Na época um bebê de três meses, Hans-Manfred Rahtgens, hoje um bancário aposentado de 64 anos, cresceu sabendo que perdera o pai na guerra – como milhões de outros garotos. Mas só iria entender a causa nos anos 1950, mesmo período em que a história de alemães que lutaram contra o regime de Hitler começava a ser reconhecida. Em 1973, Rahtgens tornou-se membro fundador – e é o atual presidente – da Associação de Pesquisa 20 de Julho de 1944 (www.20-juli-1944.de/).
Com sede em Hamburgo, a entidade dedica-se à documentação e memória da resistência alemã ao Nazismo, uma luta pouco conhecida e que tem no atentado de 1944 seu clímax. Não à toa, tema do filme Operação Valquíria, que estréia em fevereiro e em que Tom Cruise interpreta o coronel Stauffenberg, figura-chave do episódio. Nesta entrevista exclusiva, feita por e-mail, Rahtgens dá sua opinião sobre o filme, relembra a vida no pós-guerra e fala do pai e da resistência na Alemanha.
Qual foi o papel de seu pai no atentado?
O papel dele não foi documentado. Mas é conhecida sua amizade com o conde Kielmannsegg [general preso em 1944 e liberado, um dos responsáveis pelo exército alemão do pós-guerra] e com Günther Smend [oficial também condenado à morte pelo atentado]. Kielmannsegg escreveu, posteriormente, que os três rejeitavam o regime de Hitler categoricamente. Após o atentado, Hitler passou a caçar oficiais incriminados e logo descobriu meu pai, que era sobrinho do marechal-de-campo Von Kluge [1882-1944] e o visitava em Berlim e no front. Não se sabe as conversas entre eles, mas como o general estava indeciso, meu pai era suspeito de tê-lo influenciado a tomar parte no golpe. Por isso foi preso nos Bálcãs e levado para Berlim, onde foi morto.
E o que aconteceu a sua família?
Para minha mãe isso significou a perda de todos os direitos, dinheiro e bens confiscados. Só nos foi permitido ficar com a roupa do corpo. Como recém-nascido, eu não sofri isso conscientemente. Não me lembro das confusões da guerra, das fugas, da pobreza e da fome. Só no início dos anos 1950 minha mãe recebeu a primeira ajuda estatal. Até então, ela se mantinha com ajuda da família e trabalhava em uma floricultura na Ilha de Sylt [próxima à Dinamarca], onde minha avó tinha uma casa. Em 1946, fomos para a cidade de Korntal, perto de Stuttgart, onde nos alojamos em um orfanato até que nos fosse cedida uma casa pelo departamento de habitação. Em 1954 nos mudamos para Berlim. Minha mãe voltava para o lugar onde viveu quando casada. Ela queria que os filhos [além de Hans, sua irmã nascida em 1940, e seu irmão, de 1941] tivessem uma educação na metrópole. Minha irmã passou pela experiência de ser marcada na escola como Verräterkind – filha de traidores. Para mim, a associação com o atentado significou apenas que nos anos seguintes, toda vez que se falava sobre a ditadura de Hitler na escola, eu tinha de fazer uma palestra.
Que idade tinha quando soube a respeito de seu pai e como reagiu?
Acho que só com 10 anos compreendi que meu pai tivera na guerra um papel diferente de outros que também perderam suas vidas. Embora eu nunca tenha tido uma visão heróica dele. Anos depois eu me preocupava mais em passar adiante o legado da resistência do que em ser visto como filho de um deles. Mas não há dúvida de que se transmite esse legado com mais credibilidade quando se é filho de um combatente da resistência.
Um filme de Hollywood é bom para a memória da resistência alemã?Produções de Hollywood tendem a transformar esses temas em aventuras e histórias de amor. No entanto, acredito que o filme com Tom Cruise, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, vai trazer o assunto – o atentado contra Hitler – para discussão. Nos Estados Unidos, será um filme em que os alemães não serão mostrados só como nazistas ou criminosos. E na Alemanha poderá ser exibido em escolas e universidades. Então, eu aprovo o longa, embora seja mais um filme de ação que histórico.
Karl-Ernst, pai de Hans
Os Aliados consideravam a resistência oportunista. Diziam que ela só surgiu em 1943 quando a “maré da guerra mudou”.
Temos de definir o termo resistência. A resistência ativa aumentou a partir de 1943, mas isso não quer dizer que ela só surgiu a partir daí. Em um regime totalitário isso não acontece ligando um botão. É possível que a estagnação da campanha contra a Rússia fosse mais um sinal para que a força militar se distanciasse do regime e procurasse meios para pôr fim ao terror. E é fato que não houve apenas resistência militar. Ela surgiu em outros níveis sociais e religiosos. As atividades da Rote Kapelle [Orquestra Vermelha, uma rede que auxiliava os perseguidos pelo regime e cujos membros foram mortos por espionagem em 1942] começaram antes de 1943. E a resistência militar também. Planos para derrubar Hitler surgiram desde 1938, com o Complô de Setembro, quando o ditador intencionava a guerra contra a Checoslováquia. Então, o Acordo de Munique [que cedeu a região dos Sudetos aos alemães], no qual Grã-Bretanha, França, Itália e o Reich se uniram, freou Hitler por um tempo, mas acabou com os planos da oposição militar. Nas estimativas de historiadores houve 40 tentativas de se livrar de Hitler. Todas falharam por diversas razões.
Em 1938, Inglaterra e França tacharam alemães que os contataram para derrubar Hitler de traidores. Faltou apoio?
Há uma vasta bibliografia sobre esforços de alemães respeitados, em posições importantes, que contataram os Aliados. Eles queriam fazer a resistência plausível e tentaram atravessar os planos de Hitler de atacar – inclusive a Polônia. Do ponto de vista atual, a atitude dos Aliados é explicada e desculpada pelo fato de que, supostamente, Hitler iria manter o “perigo vermelho” [os comunistas] à distância. Além disso, para o governo britânico não era clara a diferença entre os planos ocultos de Hitler e as alegações da oposição. Portanto, eles permaneceram ao lado do governo legítimo – que era de Hitler.
A história da resistência foi ignorada pelos Aliados após a guerra?
Depois da rendição incondicional, os Aliados não tinham interesse em diluir a imagem de uma Alemanha nazista admitindo haver “bons alemães”. As famílias dos mortos não tiveram apoio. Os Aliados não pretendiam dar crédito a esta “outra” Alemanha.
Mas a resistência teve apoio das classes média e trabalhadora?
É fato que a maioria dos alemães acreditava até 1945 que Hitler levaria o país à Endsieg, a vitória. A maioria dos alemães também não sabia – ou não queria saber – sobre deportações e assassinatos de judeus. Queriam proteger a si próprios e a suas famílias. Mas as classes média e trabalhadora deram vários exemplos de resistência: esconder pessoas acusadas, por exemplo. Os sindicalistas também tiveram membros da resistência em suas fileiras. Além disso, Georg Elser [1903-1945, morto no campo de concentração de Dachau], que tentou matar Hitler, em 1939, na cervejaria Bürgerbräukeller, em Munique, era um carpinteiro. E entre a resistência alemã, um dos grupos mais creditados, por unir ao seu redor pessoas tanto da esquerda quanto da direita, é o Kreisauer Kreis [do intelectual Helmuth von Moltke, morto em 1945].
O escritor Joachim Fest escreveu que combater o nazismo no exterior unia dever patriótico e moral, enquanto insurgentes alemães viviam um conflito ético.
Como em qualquer profissão, oficiais agem com lealdade ao seu empregador. Os militares do Terceiro Reich fizeram um juramento a Hitler. A recusa em obedecer a ordens dessa pessoa ou contra o estado era algo quase impensável à época. E muitos oficiais desaprovavam o assassinato de Hitler por razões morais e éticas. Só foi possível a alguns poucos oficiais perceberem ser co-responsáveis pelas atrocidades do partido e reagir de forma a aceitar as conseqüências, que poriam em risco não só a si mesmos, como as suas famílias. Há que se considerar também que no fundamento democrático de hoje, oposição é um direito. O contexto de então era bem diferente. Combatentes da resistência em países ocupados não eram apenas patriotas. Se fossem capturados e mortos seriam considerados mártires. Membros da resistência alemã, por outro lado, estavam lutando contra seu próprio país e, se pegos, caminhavam para o cadafalso sob o desprezo público e a solidão desoladora.
O plano de 1944 incluía tomar Berlim, mas não havia tropas arregimentadas. O atentado foi um ato desesperado fadado ao fracasso?
Não se pode dizer isso. Era bem possível que o assassinato desse certo. Mas há a famosa frase de um importante conspirador, Henning von Tresckow [1901-1944, general que se matou no front oriental ao saber do fracasso do golpe]: “O atentado deve-se realizar, custe o que custar. Mesmo que não dê resultado, ainda assim será necessário agir em Berlim. Porque não se trata mais do objetivo prático a atingir; é preciso que o movimento de resistência alemão tenha tentado o gesto decisivo em face do mundo e perante a História. Em comparação com isso, tudo o mais é secundário.”
Embora fracassado, quais os efeitos do atentado para a Alemanha?
Foi decisivo que, no curso da guerra, a aristocracia alemã decidisse se erguer contra Hitler ao lado de todas as classes, incluindo socialistas e comunistas. A aristocracia, cujas ações ajudaram Hitler a chegar ao poder em 1933, uniu forças com os socialistas, cujos atos haviam dado início ao fim da República de Weimar. Comum a todos havia a vontade de parar aquele regime criminoso e ressuscitar a dignidade humana. A experiência conjunta de conservadores, classe média e socialistas na luta contra o nazismo influenciou maciçamente o período iniciado em 1945. Então, desde 1954, a resistência contra Hitler, sendo o atentado de 20 de julho visto como seu sinônimo, é politicamente aceita e vista como um legado daqueles que lutaram contra a injustiça.
Matar Hitler mudaria o destino do país?
É uma questão em que as especulações voam alto e que não se pode responder com uma base fundamentada. A tese de que o assassinato de Hitler poderia tê-lo tornado um mártir e iniciado uma guerra civil na Alemanha é tão razoável quanto o pensamento oposto, o de que a rápida execução dos planos dos insurgentes teria restaurado a lei e a ordem. Duas coisas são certas: os Aliados teriam exigido a rendição incondicional em qualquer caso e 5 milhões de mortes entre julho de 1944 e abril de 1945 poderiam ter sido evitadas. A outra é que a Alemanha é o único país que tem jogado luz, sem limites, sobre seu passado terrível, reconhecendo sua culpa e – quando possível – auxiliado as vítimas
Temos de definir o termo resistência. A resistência ativa aumentou a partir de 1943, mas isso não quer dizer que ela só surgiu a partir daí. Em um regime totalitário isso não acontece ligando um botão. É possível que a estagnação da campanha contra a Rússia fosse mais um sinal para que a força militar se distanciasse do regime e procurasse meios para pôr fim ao terror. E é fato que não houve apenas resistência militar. Ela surgiu em outros níveis sociais e religiosos. As atividades da Rote Kapelle [Orquestra Vermelha, uma rede que auxiliava os perseguidos pelo regime e cujos membros foram mortos por espionagem em 1942] começaram antes de 1943. E a resistência militar também. Planos para derrubar Hitler surgiram desde 1938, com o Complô de Setembro, quando o ditador intencionava a guerra contra a Checoslováquia. Então, o Acordo de Munique [que cedeu a região dos Sudetos aos alemães], no qual Grã-Bretanha, França, Itália e o Reich se uniram, freou Hitler por um tempo, mas acabou com os planos da oposição militar. Nas estimativas de historiadores houve 40 tentativas de se livrar de Hitler. Todas falharam por diversas razões.
Em 1938, Inglaterra e França tacharam alemães que os contataram para derrubar Hitler de traidores. Faltou apoio?
Há uma vasta bibliografia sobre esforços de alemães respeitados, em posições importantes, que contataram os Aliados. Eles queriam fazer a resistência plausível e tentaram atravessar os planos de Hitler de atacar – inclusive a Polônia. Do ponto de vista atual, a atitude dos Aliados é explicada e desculpada pelo fato de que, supostamente, Hitler iria manter o “perigo vermelho” [os comunistas] à distância. Além disso, para o governo britânico não era clara a diferença entre os planos ocultos de Hitler e as alegações da oposição. Portanto, eles permaneceram ao lado do governo legítimo – que era de Hitler.
A história da resistência foi ignorada pelos Aliados após a guerra?
Depois da rendição incondicional, os Aliados não tinham interesse em diluir a imagem de uma Alemanha nazista admitindo haver “bons alemães”. As famílias dos mortos não tiveram apoio. Os Aliados não pretendiam dar crédito a esta “outra” Alemanha.
Mas a resistência teve apoio das classes média e trabalhadora?
É fato que a maioria dos alemães acreditava até 1945 que Hitler levaria o país à Endsieg, a vitória. A maioria dos alemães também não sabia – ou não queria saber – sobre deportações e assassinatos de judeus. Queriam proteger a si próprios e a suas famílias. Mas as classes média e trabalhadora deram vários exemplos de resistência: esconder pessoas acusadas, por exemplo. Os sindicalistas também tiveram membros da resistência em suas fileiras. Além disso, Georg Elser [1903-1945, morto no campo de concentração de Dachau], que tentou matar Hitler, em 1939, na cervejaria Bürgerbräukeller, em Munique, era um carpinteiro. E entre a resistência alemã, um dos grupos mais creditados, por unir ao seu redor pessoas tanto da esquerda quanto da direita, é o Kreisauer Kreis [do intelectual Helmuth von Moltke, morto em 1945].
O escritor Joachim Fest escreveu que combater o nazismo no exterior unia dever patriótico e moral, enquanto insurgentes alemães viviam um conflito ético.
Como em qualquer profissão, oficiais agem com lealdade ao seu empregador. Os militares do Terceiro Reich fizeram um juramento a Hitler. A recusa em obedecer a ordens dessa pessoa ou contra o estado era algo quase impensável à época. E muitos oficiais desaprovavam o assassinato de Hitler por razões morais e éticas. Só foi possível a alguns poucos oficiais perceberem ser co-responsáveis pelas atrocidades do partido e reagir de forma a aceitar as conseqüências, que poriam em risco não só a si mesmos, como as suas famílias. Há que se considerar também que no fundamento democrático de hoje, oposição é um direito. O contexto de então era bem diferente. Combatentes da resistência em países ocupados não eram apenas patriotas. Se fossem capturados e mortos seriam considerados mártires. Membros da resistência alemã, por outro lado, estavam lutando contra seu próprio país e, se pegos, caminhavam para o cadafalso sob o desprezo público e a solidão desoladora.
O plano de 1944 incluía tomar Berlim, mas não havia tropas arregimentadas. O atentado foi um ato desesperado fadado ao fracasso?
Não se pode dizer isso. Era bem possível que o assassinato desse certo. Mas há a famosa frase de um importante conspirador, Henning von Tresckow [1901-1944, general que se matou no front oriental ao saber do fracasso do golpe]: “O atentado deve-se realizar, custe o que custar. Mesmo que não dê resultado, ainda assim será necessário agir em Berlim. Porque não se trata mais do objetivo prático a atingir; é preciso que o movimento de resistência alemão tenha tentado o gesto decisivo em face do mundo e perante a História. Em comparação com isso, tudo o mais é secundário.”
Embora fracassado, quais os efeitos do atentado para a Alemanha?
Foi decisivo que, no curso da guerra, a aristocracia alemã decidisse se erguer contra Hitler ao lado de todas as classes, incluindo socialistas e comunistas. A aristocracia, cujas ações ajudaram Hitler a chegar ao poder em 1933, uniu forças com os socialistas, cujos atos haviam dado início ao fim da República de Weimar. Comum a todos havia a vontade de parar aquele regime criminoso e ressuscitar a dignidade humana. A experiência conjunta de conservadores, classe média e socialistas na luta contra o nazismo influenciou maciçamente o período iniciado em 1945. Então, desde 1954, a resistência contra Hitler, sendo o atentado de 20 de julho visto como seu sinônimo, é politicamente aceita e vista como um legado daqueles que lutaram contra a injustiça.
Matar Hitler mudaria o destino do país?
É uma questão em que as especulações voam alto e que não se pode responder com uma base fundamentada. A tese de que o assassinato de Hitler poderia tê-lo tornado um mártir e iniciado uma guerra civil na Alemanha é tão razoável quanto o pensamento oposto, o de que a rápida execução dos planos dos insurgentes teria restaurado a lei e a ordem. Duas coisas são certas: os Aliados teriam exigido a rendição incondicional em qualquer caso e 5 milhões de mortes entre julho de 1944 e abril de 1945 poderiam ter sido evitadas. A outra é que a Alemanha é o único país que tem jogado luz, sem limites, sobre seu passado terrível, reconhecendo sua culpa e – quando possível – auxiliado as vítimas
Colaboraram Guilherme Gorgulho e Majoî Ainá Vogel

A OPERAÇÃO VALQUÍRIA
Plano era matar Hitler, tomar Berlim e propor armistício aos Aliados
A bomba deflagrada na Wolfschanze, quartel-general de Hitler na Prússia Oriental, em 20 de julho de 1944, era uma ação que vinha sendo tentada havia anos. Quem colocou a valise com o explosivo sob a mesa de reuniões foi o coronel Claus Graf Schenk von Stauffenberg, oficial que lutara nos fronts oriental e africano, onde perdera um olho, a mão direita e dedos da mão esquerda. Em 1943, ao ser designado chefe de pessoal do quartel general, travou contato com outros homens contrários ao Nazismo.
Coronel Claus von Stauffenberg
Seu superior era o general Friedrich Olbricht (1888-1944), que desde 1938, junto com outros militares e civis, planejava derrubar Hitler e evitar a guerra que se avizinhava. Mas as vitórias diplomáticas e, em seguida, militares, do Führer, deixaram a resistência sem ação. Só a partir de 1942 ela voltou à carga com várias tentativas de assassiná-lo – todas abortadas. O ditador deixava os locais antes do esperado ou cancelava sua agenda.
Foi aproveitando-se da visita programada de Hitler à Wolfschanze que Stauffenberg encarregou-se do plano de matá-lo – que incluía ainda a tomada de Berlim e um armistício com os Aliados. Mas a sorte favoreceu Hitler mais uma vez. A pesada mesa absorveu o impacto e as paredes de madeira da sala deixaram vazar a força da explosão. Das 24 pessoas presentes, quatro morreram. Stauffenberg, que deixara a sala pouco antes, escapou para Berlim na certeza de que o Führer estava morto.
Durante a tarde, sediado no Bendler Block, quartel general das forças armadas, ele tentou arregimentar tropas para o golpe. Mas com o ditador vivo, a conspiração foi debelada. No fim do dia, Stauffenberg e outros insurgentes foram fuzilados no pátio do edifício. Hitler desencadeou uma caça às bruxas e ainda aplicou a Sippenhaft, antiga tradição que estendia a culpa de uma pessoa a todo o clã. Os parentes dos conspiradores também foram caçados. Até próximo ao final da guerra, cerca de 5 000 pessoas haviam sido presas e mais de 200, executadas.
PARA SABER MAIS
Livros
German Resistance to Hitler, Peter Hoffmann
Harvard University Press, 2005
Derruba a idéia de que os insurgentes queriam apenas salvar seus próprios privilégios
Harvard University Press, 2005
Derruba a idéia de que os insurgentes queriam apenas salvar seus próprios privilégios
Plotting Hitler's Death, Joachim Fest
Metropolitan Books, 1996
Biógrafo de Hitler apresenta uma visão crítica da conspiração e de seu contexto
Site
Metropolitan Books, 1996
Biógrafo de Hitler apresenta uma visão crítica da conspiração e de seu contexto
Site
http://www.gdw-berlin.de/index-e.php
Centro Memorial da Resistência Alemã (em inglês)
Centro Memorial da Resistência Alemã (em inglês)
Fotos: Acervo pessoal e www.gdw
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